sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Participante de Camaragibe leva o prêmio final do XII Congresso Internacional da Tecnologia na Educação

Prof. Josias Albuquerque entrega o prêmio final do evento
No final da programação, foi realizado um sorteio de brindes, como TVs, bicicletas, e cursos de pós-graduação da Faculdade Senac, cursos de idiomas da Unidade de Idiomas do Senac, entre outros. A entrega foi comandada pelo presidente do Sistema Fecomércio/ Sesc/ Senac, professor Josias Albuquerque, e pelo coordenador do Congresso, professor Arnaldo Mendonça.

O prêmio principal, um carro modelo Uno Vivace 0km, foi entregue para Henrique da Silva Félix, morador de Camaragibe. Parabéns!

A escola e os desafios contemporâneos

“O que a tecnologia fez no mundo e como ela influencia na educação”. Esta foi a problemática a ser resolvida durante a palestra da professora carioca Viviane Mosé. Segundo a palestrante, ao mesmo tempo que a tecnologia aumenta nossa instabilidade ela também nos dá a oportunidade de mudar o mundo e a educação. O diferencial é ter uma escola que pense, não uma escola que repita.

Os seres humanos têm memória, mas, com a tecnologia, passamos a ter uma memória externa, sendo comparada até com um pen drive. Porém, a tecnologia sozinha não move a educação. “A gente sabe, mas só podemos provar quando debatemos com outro alguém”. Viviane mostrou que nem sempre é preciso uma escola cheia de equipamentos eletrônicos para tornar as atividades escolar mais atuais e modernas.

Os professores e a sua formação – Um tempo novo?


O ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, foi um dos destaques do último dia do XII Congresso de Tecnologia na Educação. Ele apresentou a palestra “Novos desafios para a profissão docente”, comentando sobre três principais passos para revolucionar os métodos de ensino – são eles a ampliação da aprendizagem, a renovação da escola e da pedagogia e a construção de um novo contrato social.

“Estamos presenciando uma transformação muito rápida. O quadro negro, fixo, vazio e vertical perdeu lugar para o tablet, cheio de informações, móvel e horizontal. Isso representa uma série de inovações de conexões entre os indivíduos”, afirma o professor. De acordo com ele, os educadores não devem ter medo das novas tecnologias. “Ironicamente, nós, que muitas vezes temos receio desses novos dispositivos, podemos perceber que está na tecnologia a solução para os nossos sonhos”, completou.

Nóvoa reforçou, também, as diferenças da nova geração para as gerações anteriores. “Os nossos alunos não aprendem como nós aprendemos, eles têm outro ritmo de assimilação. Precisamos investir na formação dos professores para atender a esse novo método de aprendizagem”. Na palestra, o professor afirma que a sala de aula tradicional precisa ser substituída por esses novos métodos. “Existe agora uma teia comunicacional. Não trata-se mais de transmitir conhecimentos, mas sim de fazer os alunos assimilá-los. É isso que nossos alunos estão a nos dizer e nós não estamos a ouvir”.


Um novo tempo - “Inteligência, comunicação e criação. Para se formar um professor, estes são os principais aspectos” foi o que disse o professor português Antônio Nóvoa no início de sua palestra ministrada na parte da tarde. Os professores são responsáveis por interligar os conhecimentos, e isso depende do seu potencial de comunicação. Nenhuma profissão existe sem reflexão teórica e experiência prática. Segundo o palestrante, somos a geração da transição e da mudança, não podemos deixar com que fiquemos para trás.


Antônio comparou a formação de um professor, com a de um médico, dando ênfase à importância de criar um lugar próprio, dentro da própria universidade, com a presença de professores para formarem novos profissionais. Dando como exemplo as universidades de medicina, que adotaram os hospitais-escola. “Muitos discursos e poucas mudanças concretas”, foi como o congressista definiu a falta de uma nova revolução na formação dos professores.

Congressistas aproveitam último dia de programação

João Paulo Brazelino
Os participantes do XII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação aproveitaram ao máximo o último dia de programação. O roteiro, que contava com nomes internacionais, como o do ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, e de destaques nacionais, como Viviane Mosé, despertou o interesse dos presentes. Para o professor João Paulo Brazelino, as palestras foram incentivadoras. “As palestras são muito motivadoras, e principalmente para mim que sou professor, elas ajudam muito no dia a dia. A infraestrutura foi muito bem planejada”, afirmou.
Dandara Wenne

A professora Sandra Pacheco também se mostrou animada com a programação. “Esta edição está muito boa. Os palestrantes são muito bons e os temas muito interessantes”, comenta. Assim como ela, a professora Dandara Wenne também se interessou pelo roteiro. “Já tinha ouvido falar do congresso, mas é a primeira vez que venho. A abertura foi muito boa e os palestrantes  foram muito bem escolhidos”, comentou.


O papel do educador em meio ao mundo de informações

Em um mundo de facilidade ao acesso da informação, em que os alunos têm a possibilidade de saber novidades antes do professor e estarem mais informados acerca de determinado tema, se faz necessário repensar o papel do professor. O palestrante Marcos Cavalcanti, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, começou a palestra “Pra que escola no mundo das redes sociais e do Google?” afirmando que o papel do educador atualmente é o de provocar. É preciso que se tenha a consciência de formar os alunos para o presente, pois a mentalidade atual despreza a velocidade com que as formas de se relacionar com o conhecimento mudaram. “O professor e a escola como meros transmissores de educação estão com os seus dias contados”, alerta Cavalcanti.

Marcos Cavalcanti faz uma comparação com índios e caciques: hoje em dia os índios não precisam mais do intermédio dos caciques para se comunicar – agora os índios se comunicam entre si. Mas então, qual seria a função do professor neste meio aparentemente completo e blindado de informações? Resposta: o professor tem o papel de filtrar e selecionar qualitativamente estas informações, de modo a questionar a credibilidade de esta ou aquela fonte de informação. O professor se configura como o guia que conduza a multidão, sem esquecer de qualificar-se como parte integrante deste mundo informatizado.

Professor foca o panorama da educação nacional durante palestra

A análise dos aspectos referentes ao atual panorama da educação brasileira foi o foco da palestra "O impacto da Educação para o Trabalho na Sociedade Brasileira", proferida pelo professor Mozart Neves Ramos. Reitor da Universidade Federal de Pernambuco por dois mandatos e ex-secretário de educação de Pernambuco, Ramos usou sua experiência para falar ao público sobre os maiores desafios que os educadores enfrentam para melhorar o desempenho brasileiro nos índices de educação.
Investir na educação básica foi uma dos pontos mais defendidos pelo professor. Segundo ele, a sociedade e as instituições de ensino precisam trabalhar em conjunto para atingir o bem maior, que é a democratização do acesso ao ensino de qualidade. "A universidade, por exemplo, precisa despertar para o desafio que é melhorar o desempenho educacional do Brasil. Precisamos nos reinventar, pensar fora da caixa", afirmou.

Ramos apontou a substituição dos métodos mais tradicionais de ensino pelos que despertam curiosidade e interesse dos estudantes como uma das estratégias possíveis. Para isso, contou que devem ser utilizados os novos meios de aprendizado e educação existentes. "Estamos vivendo a era da participação. As pessoas estão buscando informação por diversas fontes e quem prepara para o mercado de trabalho precisa se dar conta de que muita coisa acontece fora da sala de aula", disse.

A relevância das habilidades cognitivas e socioemocionais também foi posta em pauta. "As pessoas precisam estar preparadas para lidar com a vida profissional. Só o conhecimento técnico não é o suficiente", apontou Ramos. O educador encerrou declarando que o princípio de tudo está na formação e valorização do professor. "Precisamos valorizar o magistério, subsidiando salários justos e planos  de carreira. Não haverá futuro para nosso país sem bons professores“, concluiu.

É possível fazer mais da tecnologia

O professor paulista Caio Dib, um dos palestrantes do último dia do Congresso, abordou o tema “Desenvolvimento de habilidades não cognitivas com tecnologias na educação”, falando sobre as diversas possibilidades voltadas para estudantes utilizarem os dispositivos tecnológicos que estão cada vez mais ao alcance de todos. Caio citou o exemplo da escola Santi. Ao dar aula para uma turma de crianças de 11 anos, ele percebeu que a tecnologia, para funcionar dentro de sala de aula, precisa fazer sentido.

“Nas primeiras aulas, tentei fazer uso de mídias sociais para inspirar um projeto de ensino inovador. Mas a inovação pela inovação não estava dando certo. Pensei em montar com os alunos a produção de um mapa do bairro. Eles tinham à disposição mapas digitais, GPS e outros dispositivos, mas a mera reprodução daquelas informações estava dispersando os alunos. Foi então que surgiu a ideia de montar um mapa personalizado para os turistas da Copa. E aí, foi criado um produto maravilhoso, muito informativo, com a participação coletiva.

Educação plural como método de aprendizado

Nas épocas passadas, cinco fatores de produção ditavam o desenvolvimento do mundo: terra, capital, trabalho, energia e matéria prima. Hoje, o conhecimento tornou-se protagonista da sociedade. Essa foi a temática apresentada pelo professor Marcos Cavalcanti, doutor em informática pela Universidade de Paris XI e tem coautoria em diversos livros sobre gestão, redes e tecnologia, na palestra “Sociedade do conhecimento: redes e o papel do professor”. “As nações de liderança do futuro não serão mais as produtoras de matéria-prima, mas sim, aquelas que produzem informação”, dizia Marcos.

Ao passear pela história, ele comentou sobre a transformação das nações líderes no mundo a cada época. Em 1500, Portugal e Espanha dominavam o espaço global ao passo que hoje, perderam espaço para nações produtoras de conhecimento.

Cavalcanti reafirmou a importância do conhecimento como motor da produção humana. “Se eu der dinheiro a vocês, vocês sairão daqui mais ricos e eu mais pobre. Mas se eu compartilhar conhecimento com vocês, todos nós saímos daqui mais ricos. E com ideias multiplicadas”.

Outro ponto importante declarado pelo educador foi o entendimento das personalidades dos alunos como método para as escolas alcançarem melhores desempenhos. Segundo ele, a sociedade moderna é plural e os professores precisam se adaptar a este novo cenário, levando em conta a realidade do local no qual ensinam. “Não adianta tentarmos implantar um novo modelo educacional em todo o país. O Brasil possui diversas realidades, precisamos alinhar o ensino a cada uma delas”, afirmou.

A troca de conhecimentos também foi defendida como fator primordial para o aprendizado de estudantes e educadores. “Só aprende quem admite que pode estar errado. A função da escola é ensinar as pessoas a encontrarem a sua verdade sem precisar desmerecer a verdade do outro”, declarou.

A professora Oziana de Abreu Bonfim acompanha o evento há cinco anos e aprova a diversidade de temas debatidos. “O mais interessante é que a programação abrange assuntos que dialogam tanto com o profissional da educação infantil quanto com o que trabalha com formação de jovens e adultos”. Ela reforçou os conceitos defendidos pelo professor Marcos Cavalcanti. “Quem ensina deve compreender que vai encontrar pessoas de diferentes perfis e usar isto a seu favor, não como algo negativo”, concluiu.